sábado, maio 28

Ação contra Bin Laden foi 'conjunta' com Paquistão, dizem fontes

A operação que resultou na morte de Osama bin Laden foi realizada conjuntamente pelo Paquistão e os Estados Unidos, disseram fontes paquistanesas na segunda-feira, rejeitando rumores de atritos entre as agências de espionagem dos dois países.

Bin Laden foi morto por soldados dos EUA nos arredores de Islamabad, depois de passar quase dez anos foragido.

'Sem nosso envolvimento, esta operação não teria tido sucesso', disse uma fonte governamental paquistanesa. 'Seria possível sem a nossa ajuda? Não', disse outra fonte. 'Foi uma operação conjunta de inteligência.'

O Paquistão reluta em detalhar o seu envolvimento na invasão da mansão onde Bin Laden se refugiava, na localidade de Abbottabad, ao norte de Islamabad, onde ficam um importante quartel e a sede da Academia Militar Paquistanesa.

O fato de Bin Laden ter sido morto no coração do Paquistão -- e não em remotas áreas tribais do país -- gerou questionamentos nos EUA sobre a cooperação paquistanesa na caçada ao líder da rede Al Qaeda.

Um alto funcionário do governo norte-americano, citado no site da Casa Branca, sugeriu em conversa com jornalistas que o Paquistão havia sido excluído da operação.

'Não partilhamos nossa informação sobre as instalações de Bin Laden com nenhum outro país, inclusive o Paquistão. Isso ocorreu por apenas uma razão: acreditávamos que era essencial para a segurança da operação e do nosso pessoal.'

Já o alto-comissário (embaixador) do Paquistão na Grã-Bretanha, Wajid Shamsul Hasan, disse à Reuters que se tratou de 'uma operação conjunta, feita com colaboração secreta, realizada profissionalmente e com uma conclusão satisfatória'.

'A operação de ontem', acrescentou, 'desmentiu todas as alegações do passado de que a CIA e a ISI (agências de espionagem dos EUA e Paquistão, respectivamente) não estariam cooperando, e que haveria uma divergência entre a CIA e a ISI.'

As duas agências tiveram atritos públicos nos últimos meses, principalmente por causa de ataques com aviões teleguiados dos EUA em áreas tribais paquistanesas, e a prisão de um funcionário contratado pela CIA que matou a tiros dois paquistaneses em Lahore.

Ao mesmo tempo, no entanto, EUA e Paquistão se aproximaram nas suas posições a respeito da necessidade de uma solução política, em vez de militar, para a guerra no Afeganistão.

Fontes oficiais de três países disseram recentemente que os EUA haviam iniciado um movimento de diálogo com o grupo islâmico afegão Taliban, algo que o Paquistão há anos queria que ocorresse.

Mas uma fonte oficial disse que seria errado insinuar que o Paquistão fizera um acordo para entregar Bin Laden em troca de uma maior aceitação norte-americana para a posição de Islamabad a respeito do Afeganistão.

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